O Natal aconteceu-me.

O Natal aconteceu-me.


O Natal aconteceu-me naquela tradição de cozinha que (ainda) não se perdeu.


O Natal aconteceu-me naquelas mãos que guardaram as minhas dentro só para as aquecer.


O Natal aconteceu-me naquela cumplicidade feita de sorrisos e de olhos a brilhar, mesmo para fazer malandrices.


O Natal aconteceu-me naquelas brincadeiras de sempre, só para me fazer rir mais uma vez.


O Natal aconteceu-me à meia-noite, enquanto rezava e pedia que a esperança me (nos) renascesse no coração.


O Natal aconteceu-me naquela mão que procurou a minha, por instantes e de surpresa, como quem procurava mandar embora as nuvens cinzentas.


O Natal aconteceu-me naquele “vim só dar-te um abraço, não tenho mais nada para te dar”, sem saber que isso, para mim, é dar-me tudo.


O Natal aconteceu-me num ou outro olhar que me olhou e me sorriu.


O Natal aconteceu-me numa ou outra palavra que me abraçou.


O Natal aconteceu-me sempre em gestos de amor.


*


O Natal aconteceu-me.


Que o Natal continue a acontecer-nos e que nos fique para sempre.


Que nos renasça a esperança no coração, sempre mais uma vez.


Que ela nos envolva e nos conforte.


Que nunca nos falte.


E que nunca a deixemos faltar, também.

Comentários

  1. Muito bonito, Daniela!
    Bom resto de ano e um Feliz e Próspero Ano Novo.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  2. Quando o Natal acontece, tem de ir para a lista de textos de contos de Natal. Pode ser, das licença? 

    ResponderEliminar

Enviar um comentário